“Transtornos mentais”, Psiquiatria e DSM-V

5 05 2013

O tratamento dos chamados transtornos mentais ainda é dominado pela psiquiatria, um ramo da medicina. Na psiquiatria ainda prevalece um estilo de diagnóstico e tratamento que enfatiza a topografia dos sintomas apresentados, considerando pouco a função comportamental do dito “sintoma” e os possíveis mecanismos biológicos subjacentes. Grosseiramente falando, se você disser frequentemente que sente insetos sob sua pele, você será diagnosticado com algum tipo de esquizofrenia, independente da função que essas afirmações possam ter na sua vida e sem necessidade de que uma alteração biológica (genética, hormonal ou neurológica) seja identificada. Esse modo de diagnosticar e tratar alterações comportamentais se consolida no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) da Associação Americana de Psiquiatria (APA), que em breve terá sua 5a edição publicada.

Na semana passada, porém, o diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH), a maior instituição financiadora de pesquisas sobre o tema no mundo, questionou publicamente a validade do DSM – e, de fato, toda a prática típica da psiquiatria:

Apesar do DSM ser descrito como uma ‘Bíblia’ para a área, ele é, no máximo, um dicionário, criando um conjunto de rótulos e os definindo. A força de cada edição do DSM tem sido a ‘fidedignidade’ – cada edição tem garantido que os clínicos usem os mesmos termos dos mesmos modos. A fraqueza é sua falta de validade. Ao contrário de nossas definições de doença cardíaca isquêmica, linfoma ou AIDS, os diagnósticos do DSM baseiam-se em um consenso sobre um grupo de sintomas clínicos, não em qualquer medida objetiva de laboratório. No resto da medicina, isso seria equivalente a criar sistemas diagnósticos baseados na natureza da dor no peito ou na qualidade da febre. De fato, diagnósticos baseados em sintomas, que já foram comuns em outras áreas da medicina, foram em grande parte substituídos nos últimos 50 anos a medida em que compreendemos que APENAS SINTOMAS RARAMENTE INDICAM A MELHOR ESCOLHA DE TRATAMENTO. PACIENTES COM TRANSTORNOS MENTAIS MERECEM ALGO MELHOR. (destaques acrescentados)

 

As afirmações do diretor refletem a politica institucional do NIMH, que critica diagnósticos em saúde mental baseados em “observação clínica e relatos fenomenológicos de sintomas pelos pacientes” e propõe “novos modos de classificar transtornos mentais baseados em dimensões de comprotamento observável e medidas neurobiológicas” – através do projeto Research Domain Criteria Project (RDoC).


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